Andei pensando sobre o caráter volúvel das amizades. Eu mesma já tive novas amizades de infância, que duraram apenas um semestre na faculdade. Amigas para as quais eu jurava amor, mas nunca mais me dei ao trabalho de encontrar depois que acabei a escola.
Acho que o erro está em chamarmos os colegas de amigos. As mulheres então... são campeãs em chamar umas as outras de amigas. “Ai, amiga preciso te contar...” ou “Amiga, que saudade! Como foram as férias?”. Tá tudo errado!
Meus melhores amigos, aqueles com quem eu desabafava, que liam meu diário, que me conheciam melhor do que minha mãe, para quem eu contava coisas que nem o espelho sabia, esses que dormiam na minha casa nos finais de semana pra que pudéssemos ver filme e passar a madrugada toda conversando... Esses eu só vejo no Facebook hoje em dia. Um deles se mudou pro sul, e eu soube quando ele já estava triste por estar lá sozinho. E soube pelo Facebook, porque ele não se deu ao trabalho de me avisar que tava indo, muito menos de me ligar pra reclamar da distância ou da solidão. Pelo Facebook eu vejo e falo com amigas de Brasília, mas nunca encontro tempo para visitá-las pessoalmente. Fico na dúvida: a culpa é minha? A culpa é deles? A culpa é do Facebook?
Hoje uma colega da faculdade me disse sobre uma menina que até ontem era sua melhor amiga: “Ela ERA minha bestfriend. Agora não é mais!”. Me explica uma coisa, como alguém que você considera seu melhor amigo, que faz mil coisas junto com você, que você diz(obviamente pelo Facebook) que ama quase todos os dias, pode deixar de ser seu best? Melhores amigos brigam sim mas fazem as pazes, porque não conseguem se imaginar um sem o outro! Mas o que é que eu sei, afinal de contas?
Na adolescência é tudo muito mais fácil. A gente tem mais tempo pra esse tipo de coisa, pra cultivar as amizades. A gente sofre por amor na casa da amiga vendo um suspense bem sinistro na TV e comendo pipoca. De repente, quando percebemos, somos uns adultos sem tempo de sequer nos olharmos no espelho. Se antes dormíamos na casa da amiga todos os finais de semana, agora só o fazemos quando nossos namorados não podem estar com a gente. Tentamos fazê-lo num dia de semana. Também não conseguimos, porque alguém tem que acordar cedo pra trabalhar no outro dia. Tentamos loucamente manter os velhos e deliciosos hábitos, mas são outros tempos agora...
Eu tenho uma dupla de amigas que conheço há quase dez anos, e que sempre considerei minhas melhores amigas. Nós estudamos em colégios e faculdades diferentes, gostamos de coisas diferentes, seguimos carreiras completamente diferentes, mas sempre moramos no mesmo bairro. Também sempre nos ligamos, mandamos mensagem,e nos falamos pela internet, claro! Mas eu fico pensando, e pra dizer a verdade, eu tenho até medo de pensar... Será que se uma de nós fosse morar longe, essa amizade tão forte se manteria? Gosto de acreditar que sim e meu coração gela só de pensar que qualquer coisa algum dia possa acabar com isso que nós temos, porque vai ser um sinal de que não era de verdade. Tenho amigas na faculdade que me dói pensar que depois de formadas eu posso não ver mais...
Eu poderia citar uma pequena lista dos meus amigos que eu quero ter pra sempre na minha vida, e que eu morro de medo de perder para a falta de tempo, para o trabalho, para os namorados e namoradas, para os novos compromissos e essa vila louca e corrida que todos levamos. Então, aos meus amigos de verdade, e eles sabem quem são, eu só quero pedir uma coisa: me deixem ser sua amiga pra sempre? E sem aquela velha teoria de que “o pra sempre sempre acaba”, ou de que “pra sempre é tudo aquilo que agora se faz eterno”. Quero essas amizades até morrer! Porque melhores amigos deveriam ser pra sempre, apesar da distancia, apesar da idade, apesar do tempo. Melhores amigos não deveriam ter regras, não deveriam ter limites! Melhores amigos só precisam ser!
Sumaiá Castilho