domingo, 30 de outubro de 2011

Onda feminista

Com toda essa onda de feminismo, da necessidade da mulher de se impor e ganhar seu espaço na sociedade, no mercado de trabalho, de provar que é igual ao homem, eu sinto que nós acabamos deixando de ser femininas. A luta pelo feminismo deveria proporcionar uma liberdade de sermos tudo aquilo que quisermos; engenheiras, médicas, advogadas, presidentes e por que não, donas de casa? Uma questão nessa busca por auto-afirmação me incomoda: é que ao invés de libertar, ela aprisiona. Hoje uma mulher que queira se casar, parar de trabalhar para cuidar dos filhos e viver para zelar por sua família é tão discriminada quanto em tempos remotos eram aquelas que queriam abandonar as saias e usar calças, que se divorciavam quando uma mulher “desquitada”, termo usado na época, perdia as amigas, pois ninguém queria ser vista acompanhada de uma mulher em tal condição.

Não consigo entender por que razão as feministas querem que nós sejamos iguais aos homens, mas respeito seu desejo, e suas posturas. Eu não quero! Gosto que o homem pague a conta, abra a porta do carro, me proteja... Gosto de ser frágil,e por mais que as vezes eu seja meio durona, quero poder ser sensível, ser chorona, quero saber que tenho alguém pra me apoiar, alguém mais forte pra abrir uma garrafa ou uma lata que parece colada de tão difícil que é de abrir.

Essa semana li na revista Marie Claire uma matéria muito interessante com a polêmica psicanalista e escritora Regina Navarro Lins. Em quatro páginas de entrevista ela diz, entre muitas coisas, que o cavalheirismo “é uma herança da cultura patriarcal da Idade Média que se disfarça de gentileza para atestar a força masculina e a fragilidade feminina.” E ainda acrescenta, “Que tipo de homem deseja proteger sua mulher? Certamente não um que a veja como igual, mas que se sente superior a ela.” Ora, qualquer pessoa que ame, sente-se plenamente feliz em proteger o ser amado. Assim como o amado se sente feliz por ter alguém em sua defesa, alguém que se preocupe. Não importa se esse amor é entre homem e mulher, entre amigas, ou pais e filhos. Sou adepta da filosofia de que “quem ama, cuida”.

Não quero com isso dizer que a mulher tem que se portar como uma donzela indefesa, nem que o homem tem que ser um super herói; o que estou dizendo é que se assim eles quiserem, esse direito deve-lhes ser concedido. Numa época em que se criam tantos projetos e ONGs contra o preconceito, por que ainda é aceito esse tipo de pensamento? Quero ser livre, sem ser feminista ou machista. Quero poder ser uma mulher livre para trabalhar para uma grande companhia, ou para a minha casa. Para contratar uma babá ou dedicar meu tempo aos meus filhos, quando eu os tiver.

As pessoas hoje em dia não conseguem ser uma coisa só, e não são valorizadas se o forem. A mulher tem que ter ensino superior, falar diversas línguas, fazer mestrado, doutorado, MBA, malhar e sair com as amigas, não importa se seu marido sente sua falta ou se seu filho precisa de atenção. Aliás, ela tem que dar conta disso também. Saímos da escravidão dos tempos de Brasil colônia e agora somos escravizados por esses padrões que a sociedade estabeleceu, e que as feministas juram de pés juntos que é para promover a liberdade da mulher.

Aristóteles dizia que “liberdade é liberdade de escolher agir ou não agir.” E que a escolha de não agir, por si só já configura o estado do homem livre. Sonho com o dia em que a sociedade vai se dar conta de que essa busca desenfreada por direitos iguais, na verdade está nos tornando prisioneiras de novos padrões, e não nos libertando.

domingo, 9 de outubro de 2011

Aos meus bons amigos

Eu queria ter as melhores palavras pra ofertar aos meus amigos quando eles precisam.

Eu queria saber o que fazer quando uma amiga precisa da minha ajuda porque não consegue parar de chorar.

Eu queria saber como é que se faz pra acabar de uma vez com a saudade, quando a pessoa que está longe pouco liga pras suas lágrimas.

Queria imensamente poder botar um amigo de 1,90m no colo e fazer carinho na sua cabeça até sua dor passar.

Nem sempre eu posso. Nem sempre eu sei a resposta, mas eu quero que cada um dos meus amigos saiba, que mesmo que eu não saiba como fazer, mesmo que muitas vezes eu não tenha ideia do que fazer, ou como ajudá-lo, eu vou estar SEMPRE a disposição para pelo menos ouvir.

Muitas vezes eu não vou dizer o que eles querem, muitas vezes eu vou dizer a verdade, quando tudo o que eles queriam ouvir era “relaxa, ela vai voltar”. Mas eu aprendi que amigos de verdade são assim. São aqueles que falam a verdade, não por não se importarem com a reação do outro, mas porque entendem que qualquer coisa diferente da verdade pode ajudar naquele momento, mas a longo prazo pode ser muito pior do que a causa de sua dor. Amigo é feito pra falar a verdade, pra abraçar, pra consolar, pra estar disponível ainda que não saiba o que fazer. Amigo pode ser um ombro silencioso e só! Aliás, e só não, isso é muito!!! Obrigada, amigos por me deixarem ser esse ombro quando eu não sei o que fazer, e por contarem comigo acreditando que eu posso saber!