Com toda essa onda de feminismo, da necessidade da mulher de se impor e ganhar seu espaço na sociedade, no mercado de trabalho, de provar que é igual ao homem, eu sinto que nós acabamos deixando de ser femininas. A luta pelo feminismo deveria proporcionar uma liberdade de sermos tudo aquilo que quisermos; engenheiras, médicas, advogadas, presidentes e por que não, donas de casa? Uma questão nessa busca por auto-afirmação me incomoda: é que ao invés de libertar, ela aprisiona. Hoje uma mulher que queira se casar, parar de trabalhar para cuidar dos filhos e viver para zelar por sua família é tão discriminada quanto em tempos remotos eram aquelas que queriam abandonar as saias e usar calças, que se divorciavam quando uma mulher “desquitada”, termo usado na época, perdia as amigas, pois ninguém queria ser vista acompanhada de uma mulher em tal condição.
Não consigo entender por que razão as feministas querem que nós sejamos iguais aos homens, mas respeito seu desejo, e suas posturas. Eu não quero! Gosto que o homem pague a conta, abra a porta do carro, me proteja... Gosto de ser frágil,e por mais que as vezes eu seja meio durona, quero poder ser sensível, ser chorona, quero saber que tenho alguém pra me apoiar, alguém mais forte pra abrir uma garrafa ou uma lata que parece colada de tão difícil que é de abrir.
Essa semana li na revista Marie Claire uma matéria muito interessante com a polêmica psicanalista e escritora Regina Navarro Lins. Em quatro páginas de entrevista ela diz, entre muitas coisas, que o cavalheirismo “é uma herança da cultura patriarcal da Idade Média que se disfarça de gentileza para atestar a força masculina e a fragilidade feminina.” E ainda acrescenta, “Que tipo de homem deseja proteger sua mulher? Certamente não um que a veja como igual, mas que se sente superior a ela.” Ora, qualquer pessoa que ame, sente-se plenamente feliz em proteger o ser amado. Assim como o amado se sente feliz por ter alguém em sua defesa, alguém que se preocupe. Não importa se esse amor é entre homem e mulher, entre amigas, ou pais e filhos. Sou adepta da filosofia de que “quem ama, cuida”.
Não quero com isso dizer que a mulher tem que se portar como uma donzela indefesa, nem que o homem tem que ser um super herói; o que estou dizendo é que se assim eles quiserem, esse direito deve-lhes ser concedido. Numa época em que se criam tantos projetos e ONGs contra o preconceito, por que ainda é aceito esse tipo de pensamento? Quero ser livre, sem ser feminista ou machista. Quero poder ser uma mulher livre para trabalhar para uma grande companhia, ou para a minha casa. Para contratar uma babá ou dedicar meu tempo aos meus filhos, quando eu os tiver.
As pessoas hoje em dia não conseguem ser uma coisa só, e não são valorizadas se o forem. A mulher tem que ter ensino superior, falar diversas línguas, fazer mestrado, doutorado, MBA, malhar e sair com as amigas, não importa se seu marido sente sua falta ou se seu filho precisa de atenção. Aliás, ela tem que dar conta disso também. Saímos da escravidão dos tempos de Brasil colônia e agora somos escravizados por esses padrões que a sociedade estabeleceu, e que as feministas juram de pés juntos que é para promover a liberdade da mulher.