quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Minha Viola

Com um ano de idade eu já andava. Com um ano e meio comecei a falar, aos seis aprendi a andar de bicicleta e aos 14 eu precisava resolver equações esquisitas... Hoje aos 22, tento decifrar acordes, notas, tento tirar do meu violão (carinhosamente apelidado de Viola), algum som agradável aos ouvidos. Minha mãe cantarolava uma música quando eu era mais nova que dizia: "eu e minha viola levando alegria pra todo lugar...sou o grilo feliz e levo alegria pra todo lugar..." daí vem o nome Viola. Quero um dia ser como esse grilo, que com sua viola leva alegria por todos os lugares onde passa.
Me lembro que para pedalar na minha primeira bicicleta já sem rodinhas foi preciso muita coragem, mas foi rápido. No fim da tarde eu já andava sozinha. Não sem medo, mas sem precisar de alguém que me segurasse. Já o violão parece testar minha determinação a todo momento. É preciso aprender a mover as duas mãos ao mesmo tempo, em movimentos completamente distintos, é dolorido para as pontas dos dedos,é dolorido para o punho e é também dolorido para a coluna, todos aprendendo novos comandos junto comigo.
Sinto que meu corpo não acompanha meu raciocínio. Quanto mais eu quero que ele reaja, quanto mais quero ouvir um retorno,mais eu percebo que tudo o que sei fazer é barulho. Sem arte, sem poesia. Apenas barulho!
Mas aí eu penso o que teria acontecido se ao encontrar dificuldades, eu tivesse desistido de aprender todas essas coisas... Tocar violão é um sonho, e sonhos nasceram para serem realizados! Vai chegar o dia em que mais do que tocar, eu vou ser capaz de compor no meu violão, e nesse dia vou me lembrar com carinho daquele Natal de 2010 quando ganhei minha Viola, e de todos os dias do meu difícil aprendizado, e vou chegar a seguinte conclusão: valeu a pena! Faria tudo de novo quantas vezes fossem necessárias, porque a beleza da vida está além do que podemos ver ou ouvir. A beleza da vida está no que podemos sentir, e se algum dia a minha música fizer alguém se sentir tão bem quanto eu me sinto na presença dela, então valeu a pena!
Sumaiá Castilho

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