sábado, 25 de junho de 2011

Pássaro

Sarah passou mais de um ano tentando encontrar um pássaro lindo que viu certa vez. O tal passarinho voava ao redor de seu apartamento e pousava na janela emitindo um som que era para ela como o canto de uma sereia. Todos os dias, mais ou menos no mesmo horário, ele repetia esse ato. Até que um dia ela o acolheu. Passou a deixar comida e água na janela para que pudesse vir e voltar sempre que desejasse. Essa rotina se repetiu por alguns meses, até o dia em que ele foi embora e não voltou mais. Sarah tirou as vasilhas da janela acreditando que ele não apareceria, até que um dia ela ouviu seu canto, vindo de alguma árvore, mas não pôde vê-lo. Ele cantava pra ela quase todos os dias, mas não aparecia, não pousava mais em sua janela. Durante um ano,quando andava pela rua, ela o via em andorinhas, rolinhas, canários...

Outro dia ele pousou no parapeito bem a sua frente. Estava ferido, e Sarah tentou ajudá-lo a se curar, mas ele não deixava. Cada vez que ela se aproximava para tentar fazer um curativo ele bicava sua mão. Ela passou uma tarde inteira tentando convencê-lo a não sumir mais, mas ele é daqueles pássaros arredios, precisa ser livre, não consegue ficar muito tempo em um só lugar, precisa voar, conhecer o mundo, mas Sarah não tem asas... Então ele se foi novamente e ela já não o via mais , nem sequer ouvia seu canto, até que um dia, caminhando apressada pela rua, pensando em tantas outras coisas, ela se deparou com ele! Ao vê-lo, seu peito se encheu de alegria, mas quando se aproximou dele, percebeu que ele não apareceria mais em sua janela, nem cantaria mais para ela, e num misto de alegria e tristeza, dor e alívio,desejou que ele voasse o mais alto que pudesse alcançar, que conhecesse quantos lugares suas asas permitissem, e que fosse feliz, para que ela, mesmo distante, pudesse ser feliz também sabendo que ele estava com suas companhias preferidas: a liberdade e a solidão. Sarah sempre acreditou naquela música que diz que “é impossível ser feliz sozinho”, mas ela começa a se questionar se de repente ele de fato consegue alcançar a felicidade sobre o mar, plainando por aí, apenas ele e suas asas, asas que ela não tem.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A ponte

Caminhando por essa estrada já consigo ver o início da ponte, e como a vista dela é linda... Ao ver aquele pedaço tão pequeno, sentimos uma vontade imensa de correr para alcançarmos mais rapidamente aquela que é a nossa meta desde o início. Dizem que é lindo sentar na mureta com os pés balançando pro lado de dentro e olhar ao longe. O horizonte fica muito mais iluminado, muito mais bonito quando visto daquela ponte. Dizem ainda que, chegando lá, é incrível a vontade de pular e mergulhar naquelas águas tranqüilas que passam ali por baixo. Essas águas nem sempre são calmas. Por vezes há uma ou outra turbulência, mas ela não perde sua essência. Não deixa de ser um lugar onde não há espaço para sentimentos ruins, para energias negativas.

Aos poucos nos aproximamos mais e mais, e o cheiro que ela exala é inebriante. Deve haver jasmins nos arredores da ponte. Aquele aroma vai nos sugando, e sentimos cada vez mais vontade de correr até ela, mas sabemos eu é preciso caminhar com cuidado, pois não conhecemos bem o caminho. Podem haver pedras, podem haver desvios, por isso precisamos estar sempre atentos, observando a estrada, mantendo a velocidade.

Nós caminhamos de mãos dadas, conversando, um querendo saber mais sobre o outro, querendo aproveitar ao máximo mais um daqueles momentos inesquecíveis. E quando chegarmos lá se resolvermos pular, vai ser assim: de mãos dadas para sentirmos juntos essa sensação que todos dizem ser indescritível! Nós estamos muito ansiosos para chegar até a ponte, mas vamos nos aproximando com calma, sem perder o ritmo ou o prazer de desfrutar o caminho.