Sarah passou mais de um ano tentando encontrar um pássaro lindo que viu certa vez. O tal passarinho voava ao redor de seu apartamento e pousava na janela emitindo um som que era para ela como o canto de uma sereia. Todos os dias, mais ou menos no mesmo horário, ele repetia esse ato. Até que um dia ela o acolheu. Passou a deixar comida e água na janela para que pudesse vir e voltar sempre que desejasse. Essa rotina se repetiu por alguns meses, até o dia em que ele foi embora e não voltou mais. Sarah tirou as vasilhas da janela acreditando que ele não apareceria, até que um dia ela ouviu seu canto, vindo de alguma árvore, mas não pôde vê-lo. Ele cantava pra ela quase todos os dias, mas não aparecia, não pousava mais em sua janela. Durante um ano,quando andava pela rua, ela o via em andorinhas, rolinhas, canários...
Outro dia ele pousou no parapeito bem a sua frente. Estava ferido, e Sarah tentou ajudá-lo a se curar, mas ele não deixava. Cada vez que ela se aproximava para tentar fazer um curativo ele bicava sua mão. Ela passou uma tarde inteira tentando convencê-lo a não sumir mais, mas ele é daqueles pássaros arredios, precisa ser livre, não consegue ficar muito tempo em um só lugar, precisa voar, conhecer o mundo, mas Sarah não tem asas... Então ele se foi novamente e ela já não o via mais , nem sequer ouvia seu canto, até que um dia, caminhando apressada pela rua, pensando em tantas outras coisas, ela se deparou com ele! Ao vê-lo, seu peito se encheu de alegria, mas quando se aproximou dele, percebeu que ele não apareceria mais em sua janela, nem cantaria mais para ela, e num misto de alegria e tristeza, dor e alívio,desejou que ele voasse o mais alto que pudesse alcançar, que conhecesse quantos lugares suas asas permitissem, e que fosse feliz, para que ela, mesmo distante, pudesse ser feliz também sabendo que ele estava com suas companhias preferidas: a liberdade e a solidão. Sarah sempre acreditou naquela música que diz que “é impossível ser feliz sozinho”, mas ela começa a se questionar se de repente ele de fato consegue alcançar a felicidade sobre o mar, plainando por aí, apenas ele e suas asas, asas que ela não tem.