sexta-feira, 22 de junho de 2012
Cuidado com mulher que fala baixo!
Você passa a vida toda acreditando e declarando aos quatro ventos que não se importa com o que os outros pensam a seu respeito, acreditando que é uma boa pessoa e que provavelmente não há nada de ruim que possa ser dito sobre você. Até o dia em que, de onde menos se esperava, surgem as palavras INJUSTA, INGRATA, OVELHA NEGRA, MAL AGRADECIDA, e tantas outras com significados semelhantes designando você. Sim, você que se achava tão bacana, que sempre brigou por seus direitos, agora é acusada de ser uma má influência para um homem que, teoricamente, aos quarenta e poucos anos já tem sua personalidade mais que definida. Lembre de todas aquelas reivindicações que seus colegas comentaram, mas só você teve coragem de levar ao chefe. Sim, é por causa delas que agora te acusam de ser a única reclamona.
- Você deveria agradecer mais e pedir menos, ela diz. Deveria estar satisfeita com o que tem e nunca reclamar caso seus colegas tenham privilégios que você não tem. Acordos foram feitos para serem descumpridos, lembre-se disso. E caso não esteja satisfeita, faça como aconselha o Capitão Nascimento: peça para sair. Porque as pessoas vão se lembrar de tudo que lhes convém, inclusive do que nunca foi dito, mas se esquecerão facilmente daquilo que não lhes interessa, e pouco importa qual tenha sido o combinado.
Me sinto numa década distante, do século passado, em que mulheres deveriam ser gratas por terem conseguido um marido. Eram impedidas de estudar, de ter uma profissão, de decidir com quem se casar e mal sabiam fazer as contas e assinar o nome.
- Seja grata, menina! Papai te arrumou um marido com posses.
- Mas eu queria trabalhar e estudar, conhecer o mundo...
(Tapa na cara) – Mulher ingrata! Não sabe dar valor ao que tem!
O pior é quando tamanha insanidade vem de quem menos se espera. Minha mãe sempre disse que eu tomasse cuidado com quem fala baixinho. Mais especificamente com mulher que fala doce e baixo. São as piores, ela diz. Percebo que minha mãe tem razão. As mães sempre têm, mas nós, burros, só acreditamos depois que pagamos pra ver. Que barulho faz uma cobra? Nenhum! Ela se disfarça entre as folhagens, rasteja sobre o solo e se aproxima sutilmente. Você pode até ficar pertinho dela, imaginando que é um galho. Enquanto isso ela prepara o bote. Quando você está bem tranqüilo, relaxado, ela ataca. Bote certeiro, é claro. Que te deixa desconcertado sem saber como reagir.
Fico me perguntando: com tantos conhecidos por perto, ninguém te defendeu. Será que todos pensam da mesma maneira? Por que se omitem diante de tantas acusações infundadas? Doeu pensar que aquela pessoa acha tantas coisas horríveis de você e dói ainda um pouco mais pensar no motivo para que todos tenham se omitido. Eles vão esperar que você esteja longe para que possam comentar sobre o fato, e talvez até achem que a serpente disfarçada de cordeiro esteja errada, mas como sempre, vão comentar apenas entre si. Nunca vão confrontá-la, nunca vão defender você diante do chefe, porque eles nunca tiveram nem terão coragem suficiente. Assim como nunca tiveram coragem de dizer que, em sua opinião, ela não passa de uma farsa, e nem me interessa aqui dizer o que mais eles pensam... Bem feito tolinha, enquanto todos se calam, você abre a boca para reclamar os direitos seus e de seus colegas.
Veja se aprende: boas meninas devem manter-se em silêncio, balançar a cabeça como aquelas vacas de presépio. Seja sonsa, passe a perna nos colegas, finja que é um docinho e que está muito preocupada com todos e principalmente...
FALE BAIXO!
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