quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Chuva

Adoro ver a chuva caindo, mas gosto especialmente de ouvir o som que ela produz ao bater no chão e nos telhados das casas, onde as crianças estão encolhidas em algum canto com medo dos trovões, ou nas janelas, maravilhadas com a beleza dos raios. E o cheiro da chuva? Poderia a natureza ser mais perfeita? Qual criança nunca tomou um gostoso banho de chuva num quente verão, de braços abertos, chutando água para todos os lados? É uma sensação tão gostosa, de liberdade, de sentir Deus lavando seu corpo e levando na água todos aqueles sentimentos ruins que ficam ali guardados, agarrados à pele. Tudo o que você precisa fazer é relaxar e sentir a água batendo no rosto, escorrendo para a boca. Eu costumava ficar sentada na janela do meu apartamento observando o céu, ouvindo música. Quando chovia fraco, ficava ali, sorvendo as gotas, o chuvisco refrescando meu rosto e minha alma. Na chuva forte eu fechava a janela, mas ainda assim ficava ali, cama colada na parede, lendo algum livro em silêncio, só o barulho delicioso da chuva como trilha sonora pra minha história. Acho a chuva extremamente romântica! E os novelistas e roteiristas de cinema parecem concordar, com seus grandes encontros e reencontros amorosos, carreados de paixão e regados pela forte água que cai do céu e banha os amantes. O que pode ser mais romântico que um casal em casa, jantando à luz de velas, embalados pela fina chuva que cai lá fora? Morei em um bairro onde mal chovia, acabava a luz! E era uma delícia, porque a falta de energia - quando não traz prejuízos, é claro – une as pessoas. Os filhos, que estavam cada um em seus quartos navegando na internet, ou cuidando de suas tarefas, correm para a sala. A mãe, que preparava o jantar, rapidamente surge com uma vela para cada pessoa e de repente estão todos ali na sala, conversando. Surgem então os jogos de sombras na parede, cada um puxa uma nova brincadeira, e quando a luz volta vem aquela vontade de apagar tudo e continuar exatamente como estava. Mas a mãe tem que terminar o jantar, seu irmão corre para continuar o bate-papo com amigos na internet e você tem aquele trabalho para terminar. Pronto! Já estão todos reservados a suas individualidades novamente, cada um no seu canto, e a magia que a chuva trouxe foi embora novamente. Eu me sinto mal, é claro, por todas as pessoas que sofrem com a chuva, que perdem casas e conquistas de uma vida inteira. Mas a culpa não é da natureza, muito menos da chuva ou de Deus. A culpa é nossa. Nós que tanto maltratamos a natureza, que ocupamos espaços destinados às florestas, que criamos aterros irregulares e construímos em locais proibidos. Ainda assim, faço minhas as palavras do cantor que diz: “Oh chuva, eu peço que caia devagar. Só molhe esse povo de alegria, para nunca mais chorar...”.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Cuidado com mulher que fala baixo!

Você passa a vida toda acreditando e declarando aos quatro ventos que não se importa com o que os outros pensam a seu respeito, acreditando que é uma boa pessoa e que provavelmente não há nada de ruim que possa ser dito sobre você. Até o dia em que, de onde menos se esperava, surgem as palavras INJUSTA, INGRATA, OVELHA NEGRA, MAL AGRADECIDA, e tantas outras com significados semelhantes designando você. Sim, você que se achava tão bacana, que sempre brigou por seus direitos, agora é acusada de ser uma má influência para um homem que, teoricamente, aos quarenta e poucos anos já tem sua personalidade mais que definida. Lembre de todas aquelas reivindicações que seus colegas comentaram, mas só você teve coragem de levar ao chefe. Sim, é por causa delas que agora te acusam de ser a única reclamona. - Você deveria agradecer mais e pedir menos, ela diz. Deveria estar satisfeita com o que tem e nunca reclamar caso seus colegas tenham privilégios que você não tem. Acordos foram feitos para serem descumpridos, lembre-se disso. E caso não esteja satisfeita, faça como aconselha o Capitão Nascimento: peça para sair. Porque as pessoas vão se lembrar de tudo que lhes convém, inclusive do que nunca foi dito, mas se esquecerão facilmente daquilo que não lhes interessa, e pouco importa qual tenha sido o combinado. Me sinto numa década distante, do século passado, em que mulheres deveriam ser gratas por terem conseguido um marido. Eram impedidas de estudar, de ter uma profissão, de decidir com quem se casar e mal sabiam fazer as contas e assinar o nome. - Seja grata, menina! Papai te arrumou um marido com posses. - Mas eu queria trabalhar e estudar, conhecer o mundo... (Tapa na cara) – Mulher ingrata! Não sabe dar valor ao que tem! O pior é quando tamanha insanidade vem de quem menos se espera. Minha mãe sempre disse que eu tomasse cuidado com quem fala baixinho. Mais especificamente com mulher que fala doce e baixo. São as piores, ela diz. Percebo que minha mãe tem razão. As mães sempre têm, mas nós, burros, só acreditamos depois que pagamos pra ver. Que barulho faz uma cobra? Nenhum! Ela se disfarça entre as folhagens, rasteja sobre o solo e se aproxima sutilmente. Você pode até ficar pertinho dela, imaginando que é um galho. Enquanto isso ela prepara o bote. Quando você está bem tranqüilo, relaxado, ela ataca. Bote certeiro, é claro. Que te deixa desconcertado sem saber como reagir. Fico me perguntando: com tantos conhecidos por perto, ninguém te defendeu. Será que todos pensam da mesma maneira? Por que se omitem diante de tantas acusações infundadas? Doeu pensar que aquela pessoa acha tantas coisas horríveis de você e dói ainda um pouco mais pensar no motivo para que todos tenham se omitido. Eles vão esperar que você esteja longe para que possam comentar sobre o fato, e talvez até achem que a serpente disfarçada de cordeiro esteja errada, mas como sempre, vão comentar apenas entre si. Nunca vão confrontá-la, nunca vão defender você diante do chefe, porque eles nunca tiveram nem terão coragem suficiente. Assim como nunca tiveram coragem de dizer que, em sua opinião, ela não passa de uma farsa, e nem me interessa aqui dizer o que mais eles pensam... Bem feito tolinha, enquanto todos se calam, você abre a boca para reclamar os direitos seus e de seus colegas. Veja se aprende: boas meninas devem manter-se em silêncio, balançar a cabeça como aquelas vacas de presépio. Seja sonsa, passe a perna nos colegas, finja que é um docinho e que está muito preocupada com todos e principalmente... FALE BAIXO!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

"Que o dia termine bem"

Hoje estou como Oswaldo Montenegro: “Quero a rua cheia de sorrisos francos, de rostos serenos e palavras soltas...”. Hoje quero declarar meu amor ao homem que chamo de meu, àquela que me gerou, que me fez vir ao mundo e que é o meu mundo. “Hoje eu só quero que o dia termine bem”. Quero fazer carinho nas pessoas que gosto, brincar de carrinho com meu irmão, ajudar um velhinho a atravessar a rua e fazer o jantar. Hoje estou alegre, estou reabastecida de boas energias, de vontade de fazer tudo dar certo, de me casar, de comprar jujubas, de alisar o cabelo e dar uma volta na praia.

Hoje meu nome poderia ser desejo. Não um desejo carnal, como a tensão do encontro de peles entre homem e mulher, mas um desejo infantil, como uma criança ansiando pelo bolo que acaba de sair do forno. Estou desejando tudo que há de bom para mim e para os que estão ao meu redor. Desejo que o criminoso se arrependa, que o magoado perdoe, que os casais se reconciliem, e que os homens agradeçam a Deus pelo dia lindo que fez.

Quero ouvir música boa, comer panqueca da minha tia, ver fotos antigas e lembrar de como sou abençoada. Hoje quero ser alienada. Não quero ver TV, não quero saber das notícias, não quero ligar para a operadora do meu celular para reclamar pela enésima vez sobre minha internet. Quero uma roda de amigos, como fazíamos na adolescência. Quero jogar cartas, UNO, Banco Imobiliário, brincar de pique poste e queimada. Quero as gargalhadas dos meus amigos, nossos gritos de criança e o suor correndo pelo rosto.

Quero me lembrar como a vida é boa, como é bom sorrir e esquecer os problemas. Hoje quero me lembrar que Jesus veio para que eu tenha vida, e vida em abundância. Não quero me lembrar dos meus erros, das minhas culpas, quero pensar que é sempre tempo de recomeçar, que o rumo da minha vida só depende de Deus e das minhas escolhas. E hoje eu escolho ser feliz acima de qualquer coisa. Escolho que nada de ruim poderá me afetar. Hoje eu quero... ah... “hoje eu só quero que o dia termine bem”.

domingo, 30 de outubro de 2011

Onda feminista

Com toda essa onda de feminismo, da necessidade da mulher de se impor e ganhar seu espaço na sociedade, no mercado de trabalho, de provar que é igual ao homem, eu sinto que nós acabamos deixando de ser femininas. A luta pelo feminismo deveria proporcionar uma liberdade de sermos tudo aquilo que quisermos; engenheiras, médicas, advogadas, presidentes e por que não, donas de casa? Uma questão nessa busca por auto-afirmação me incomoda: é que ao invés de libertar, ela aprisiona. Hoje uma mulher que queira se casar, parar de trabalhar para cuidar dos filhos e viver para zelar por sua família é tão discriminada quanto em tempos remotos eram aquelas que queriam abandonar as saias e usar calças, que se divorciavam quando uma mulher “desquitada”, termo usado na época, perdia as amigas, pois ninguém queria ser vista acompanhada de uma mulher em tal condição.

Não consigo entender por que razão as feministas querem que nós sejamos iguais aos homens, mas respeito seu desejo, e suas posturas. Eu não quero! Gosto que o homem pague a conta, abra a porta do carro, me proteja... Gosto de ser frágil,e por mais que as vezes eu seja meio durona, quero poder ser sensível, ser chorona, quero saber que tenho alguém pra me apoiar, alguém mais forte pra abrir uma garrafa ou uma lata que parece colada de tão difícil que é de abrir.

Essa semana li na revista Marie Claire uma matéria muito interessante com a polêmica psicanalista e escritora Regina Navarro Lins. Em quatro páginas de entrevista ela diz, entre muitas coisas, que o cavalheirismo “é uma herança da cultura patriarcal da Idade Média que se disfarça de gentileza para atestar a força masculina e a fragilidade feminina.” E ainda acrescenta, “Que tipo de homem deseja proteger sua mulher? Certamente não um que a veja como igual, mas que se sente superior a ela.” Ora, qualquer pessoa que ame, sente-se plenamente feliz em proteger o ser amado. Assim como o amado se sente feliz por ter alguém em sua defesa, alguém que se preocupe. Não importa se esse amor é entre homem e mulher, entre amigas, ou pais e filhos. Sou adepta da filosofia de que “quem ama, cuida”.

Não quero com isso dizer que a mulher tem que se portar como uma donzela indefesa, nem que o homem tem que ser um super herói; o que estou dizendo é que se assim eles quiserem, esse direito deve-lhes ser concedido. Numa época em que se criam tantos projetos e ONGs contra o preconceito, por que ainda é aceito esse tipo de pensamento? Quero ser livre, sem ser feminista ou machista. Quero poder ser uma mulher livre para trabalhar para uma grande companhia, ou para a minha casa. Para contratar uma babá ou dedicar meu tempo aos meus filhos, quando eu os tiver.

As pessoas hoje em dia não conseguem ser uma coisa só, e não são valorizadas se o forem. A mulher tem que ter ensino superior, falar diversas línguas, fazer mestrado, doutorado, MBA, malhar e sair com as amigas, não importa se seu marido sente sua falta ou se seu filho precisa de atenção. Aliás, ela tem que dar conta disso também. Saímos da escravidão dos tempos de Brasil colônia e agora somos escravizados por esses padrões que a sociedade estabeleceu, e que as feministas juram de pés juntos que é para promover a liberdade da mulher.

Aristóteles dizia que “liberdade é liberdade de escolher agir ou não agir.” E que a escolha de não agir, por si só já configura o estado do homem livre. Sonho com o dia em que a sociedade vai se dar conta de que essa busca desenfreada por direitos iguais, na verdade está nos tornando prisioneiras de novos padrões, e não nos libertando.

domingo, 9 de outubro de 2011

Aos meus bons amigos

Eu queria ter as melhores palavras pra ofertar aos meus amigos quando eles precisam.

Eu queria saber o que fazer quando uma amiga precisa da minha ajuda porque não consegue parar de chorar.

Eu queria saber como é que se faz pra acabar de uma vez com a saudade, quando a pessoa que está longe pouco liga pras suas lágrimas.

Queria imensamente poder botar um amigo de 1,90m no colo e fazer carinho na sua cabeça até sua dor passar.

Nem sempre eu posso. Nem sempre eu sei a resposta, mas eu quero que cada um dos meus amigos saiba, que mesmo que eu não saiba como fazer, mesmo que muitas vezes eu não tenha ideia do que fazer, ou como ajudá-lo, eu vou estar SEMPRE a disposição para pelo menos ouvir.

Muitas vezes eu não vou dizer o que eles querem, muitas vezes eu vou dizer a verdade, quando tudo o que eles queriam ouvir era “relaxa, ela vai voltar”. Mas eu aprendi que amigos de verdade são assim. São aqueles que falam a verdade, não por não se importarem com a reação do outro, mas porque entendem que qualquer coisa diferente da verdade pode ajudar naquele momento, mas a longo prazo pode ser muito pior do que a causa de sua dor. Amigo é feito pra falar a verdade, pra abraçar, pra consolar, pra estar disponível ainda que não saiba o que fazer. Amigo pode ser um ombro silencioso e só! Aliás, e só não, isso é muito!!! Obrigada, amigos por me deixarem ser esse ombro quando eu não sei o que fazer, e por contarem comigo acreditando que eu posso saber!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Melhores amigos

Andei pensando sobre o caráter volúvel das amizades. Eu mesma já tive novas amizades de infância, que duraram apenas um semestre na faculdade. Amigas para as quais eu jurava amor, mas nunca mais me dei ao trabalho de encontrar depois que acabei a escola.

Acho que o erro está em chamarmos os colegas de amigos. As mulheres então... são campeãs em chamar umas as outras de amigas. “Ai, amiga preciso te contar...” ou “Amiga, que saudade! Como foram as férias?”. Tá tudo errado!

Meus melhores amigos, aqueles com quem eu desabafava, que liam meu diário, que me conheciam melhor do que minha mãe, para quem eu contava coisas que nem o espelho sabia, esses que dormiam na minha casa nos finais de semana pra que pudéssemos ver filme e passar a madrugada toda conversando... Esses eu só vejo no Facebook hoje em dia. Um deles se mudou pro sul, e eu soube quando ele já estava triste por estar lá sozinho. E soube pelo Facebook, porque ele não se deu ao trabalho de me avisar que tava indo, muito menos de me ligar pra reclamar da distância ou da solidão. Pelo Facebook eu vejo e falo com amigas de Brasília, mas nunca encontro tempo para visitá-las pessoalmente. Fico na dúvida: a culpa é minha? A culpa é deles? A culpa é do Facebook?

Hoje uma colega da faculdade me disse sobre uma menina que até ontem era sua melhor amiga: “Ela ERA minha bestfriend. Agora não é mais!”. Me explica uma coisa, como alguém que você considera seu melhor amigo, que faz mil coisas junto com você, que você diz(obviamente pelo Facebook) que ama quase todos os dias, pode deixar de ser seu best? Melhores amigos brigam sim mas fazem as pazes, porque não conseguem se imaginar um sem o outro! Mas o que é que eu sei, afinal de contas?

Na adolescência é tudo muito mais fácil. A gente tem mais tempo pra esse tipo de coisa, pra cultivar as amizades. A gente sofre por amor na casa da amiga vendo um suspense bem sinistro na TV e comendo pipoca. De repente, quando percebemos, somos uns adultos sem tempo de sequer nos olharmos no espelho. Se antes dormíamos na casa da amiga todos os finais de semana, agora só o fazemos quando nossos namorados não podem estar com a gente. Tentamos fazê-lo num dia de semana. Também não conseguimos, porque alguém tem que acordar cedo pra trabalhar no outro dia. Tentamos loucamente manter os velhos e deliciosos hábitos, mas são outros tempos agora...

Eu tenho uma dupla de amigas que conheço há quase dez anos, e que sempre considerei minhas melhores amigas. Nós estudamos em colégios e faculdades diferentes, gostamos de coisas diferentes, seguimos carreiras completamente diferentes, mas sempre moramos no mesmo bairro. Também sempre nos ligamos, mandamos mensagem,e nos falamos pela internet, claro! Mas eu fico pensando, e pra dizer a verdade, eu tenho até medo de pensar... Será que se uma de nós fosse morar longe, essa amizade tão forte se manteria? Gosto de acreditar que sim e meu coração gela só de pensar que qualquer coisa algum dia possa acabar com isso que nós temos, porque vai ser um sinal de que não era de verdade. Tenho amigas na faculdade que me dói pensar que depois de formadas eu posso não ver mais...

Eu poderia citar uma pequena lista dos meus amigos que eu quero ter pra sempre na minha vida, e que eu morro de medo de perder para a falta de tempo, para o trabalho, para os namorados e namoradas, para os novos compromissos e essa vila louca e corrida que todos levamos. Então, aos meus amigos de verdade, e eles sabem quem são, eu só quero pedir uma coisa: me deixem ser sua amiga pra sempre? E sem aquela velha teoria de que “o pra sempre sempre acaba”, ou de que “pra sempre é tudo aquilo que agora se faz eterno”. Quero essas amizades até morrer! Porque melhores amigos deveriam ser pra sempre, apesar da distancia, apesar da idade, apesar do tempo. Melhores amigos não deveriam ter regras, não deveriam ter limites! Melhores amigos só precisam ser!

Sumaiá Castilho

domingo, 3 de julho de 2011

E havia nada

E de repente eu o vi... vi e não senti nada, absolutamente nada! Onde estão as borboletas no estomago? Onde está aquele frio na barriga? E o coração acelerado? Onde estava o sorriso que costumava brotar em meu rosto sem que eu percebesse? Nenhuma reação, apenas um “oi” muito formal, meio que cumprindo as exigências do cargo que me foi ofertado! Um segundo beijo sem paixão, um abraço que apenas fazia parte de um roteiro pré definido, não mais que uma convenção estabelecida para os relacionamentos. Ali estávamos nós. Eu o olhava e não me sentia incendiar de alegria... como um robô eu o beijava, puxava assunto, trocávamos amenidades, mas aquele casal já não existia, já não estava mais ali. Mas onde estaria então? Me fiz de feliz pelo acaso de nos encontrarmos, me fiz de feliz por vê-lo e poder estar com ele ainda que por poucos minutos,mas a quem eu estava enganando afinal? Não que estivesse triste, mas simplesmente não estava nada. Nem feliz nem triste, nem alegre nem irritada, nem gostei nem desgostei. Havia nada, nenhum sentimento naquele momento. Percebi que estava me violando, violando meus próprios códigos de dizer sempre a verdade acima de tudo e de todos, de cair fora quando não estivesse mais feliz! Mas no fim das contas, será que alguém consegue ser feliz todo tempo? Será que se pode desistir a cada momento de infelicidade? E qual é a hora de desistir? Como saber qual é a hora de se blindar novamente? A única coisa que sei é que eu preciso de muito. Preciso de faíscas, borboletas no estomago, mãos suando e coração palpitando. Mas ali havia simplesmente nada!